poesias mais


27/10/2011


Escrito por linney jeanne palma às 18h04
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CIDADE

 

Linney Jeanne Palma

 

Toda vez que caminho

nas paisagens desta cidade

e me relaciono

com seus pássaros cantadores,

sinto que sou daqui.

 

Sou das suas ruas vivas,

das árvores nostálgicas,

das sombras acessíveis,

das pessoas simples

e de suas músicas

convertidas em raízes.

 

Sou dos seus terraços espirituais,

de onde eu posso viajar

pelo mundo

e sempre voltar.

Escrito por linney jeanne palma às 18h00
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12/10/2011


Por meus amores

 

Linney Jeanne Palma

 

Nas voltas que desenho,

passeio com os meus botões

à sombra dos sentimentos.

 

Reinvento horizontes,

pinto estrelas

no céu da minha boca

para falar de poesias.

 

A cada palavra amarga

cabe uma sentença.

Dissipo maus pensamentos...

frases só de esperanças azuis.

 

Ah se não fossem

os meus amores...

o que seria de mim

que bebo o ácido sabor da vida?

Escrito por linney jeanne palma às 07h50
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22/09/2011


Meu Rosto

 

Linney Jeanne Palma

 

Meu rosto,

já não o vejo em mim.

 

Perdi-o em alguma rua,

por onde espalhei

minha alma cismada,

ou no fundo

do teu olhar distante.

 

E ele trazia

meus olhos atentos

que costumavam

alcançar as estrelas

e minha boca alegre

que cantava

canções de ternura.

 

Meu rosto,

já não o vejo em mim.

 

Crispado de ver fantasmas,

perdeu-se

nas paisagens ressentidas,

ou já não o reconheço mais.

Escrito por linney jeanne palma às 17h30
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07/10/2007


O tempo

 

Linney Jeanne Palma

 

O que sei

das horas

que correm loucas

devorando o meu destino

de mulher?

Não tive tempo

de olhar no espelho

mal tive tempo

de vestir a roupa

e o dia passou

sem que eu sorrisse

e ainda preciso

encontrar os sonhos.

Escrito por linney jeanne palma às 22h12
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27/09/2007


                 Fragmentos

 

            Linney Jeanne Palma

 

          Fragmentos do passado

                são mistérios

                 que a noite

            procura desvendar:

               juntar pedaços,

              formar desenhos,

                    decifrar.

                      Vida,

                      pesar.

Escrito por linney às 07h06
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26/09/2007


A Rua Por Onde Passo

 

Linney Jeanne Palma

 

A rua por onde passo

todos os dias

já me conhece.

Sabe dos meus cacoetes

(às vezes cantarolo baixinho

em leve desatino)

sabe a cor

dos meus sapatos

(e onde eles me apertam)

tem a medida

dos meus passos

do peso

das minhas sacolas

e entende as razões

pelas quais

desfilo minha tristeza.

Escrito por linney às 06h51
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04/09/2007


Meus Mortos

 

Linney Jeanne Palma

 

Às vezes,

parece que vejo

meus mortos

em alguma

desconhecida rua,

andando distraída;

ou refletidos cativos,

numa vitrina;

ou numa janela,

atrás de uma cortina

a voejar...

Vejo-os

num canto

de uma casa vazia,

ou num jardim,

escondidos...

 

Às vezes,

suas vozes

parecem murmurar

dentro de mim

seus nomes ausentes...

 

É aí que vem

esta saudade

pungente

que teima

em não me deixar...

 

Reviro

a minha memória

andarilha

e eles voltam,

como parte

de uma história

insepulta

que eu gosto de lembrar.

Escrito por linney às 22h51
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03/08/2007


Incerteza

 

Linney Jeanne Palma

 

Aflige

a incerteza!

desconhecer

teus planos

silenciosos,

impenetráveis,

em incansáveis

dias de espera,

em devaneios

aflitos;

sem saber

aonde vai dar

este caminho

e aceitar

resignada

os dias.

Escrito por linney às 09h22
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24/07/2007


Meus Olhos

 

Linney Jeanne Palma

        

A menina

tinha os meus olhos.

 

Não estes

que tenho agora,

mas os que eu tinha

quando ainda

não havia deixado

ninguém para trás;

nem enterrado

meus mortos,

nem feito

as mudanças que fiz,

nem andado

por infinitas ruas

à procura de endereços,

nem visto

tantos sorrisos amarelos.

 

Aqueles olhos

eram os da menina

que ficou no meu passado...

  

Escrito por linney às 13h42
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04/07/2007


Campo-Santo

 

Linney Jeanne Palma

 

Onde os mortos

deitam seus corpos,

um pássaro canta,

uma flor desabrocha,

um homem acende uma vela.

 

O Sol

deita cruzes

de sombras no chão

e aquece

o corpo da mulher

que faz uma prece.

Escrito por linney às 11h48
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30/06/2007


O Inverno

 

Linney Jeanne Palma

 

O inverno chegou

como um namorado

que vem

de uma longa viagem.

Eu esperava ansiosa

com os cobertores

perfumados

e a mesa posta

com chocolate quente.

 

Fechei a janela,

acendi a lareira,

peguei meu livro favorito,

e como uma gueixa

fiquei bonita,

num pijama

de flores azuis.

Escrito por linney às 15h05
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29/06/2007


Deixa-me quieta

 

Linney Jeanne Palma

 

Deixa-me quieta

que eu preciso de mim,

da minha dor suave

que em tantos

não dói.

Deixa-me

com os meus pensamentos

que fazem vozes

calmas e iguais.

 

Deixa-me

no silêncio,

na penumbra,

para que eu possa

depois de tudo

e apesar de tudo

voltar...

Escrito por linney às 13h54
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28/06/2007


Andarilho

 

Linney Jeanne Palma

 

Carregas a solidão

por esta estrada sem fim,

alheio às paisagens

que deixas para trás...

 

Pisas nas pequenas flores

da beira do asfalto

e nem te deténs

para  ve-las.

 

Aonde vais,

que levas a tua vida

nos ombros,

sem que ninguém

perceba que tu passas?

 

Quantos mundos

foram os teus?

Quantas vidas

perderam-se de ti?

 

Andarilho...

para onde

te levam

os teus passos ?

Escrito por linney às 20h39
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Fantasmas Interiores

 

Linney Jeanne Palma

 

Cruzamos

com nossos

fantasmas interiores

dia-a-dia:

uns

nos apontam o dedo,

outros

vêm cumprimentar-nos.

 

Seus rostos,

espectros,

nos examinam

atentos:

Somos reféns.

Entre erros e acertos,

vivemos.

Escrito por linney às 20h27
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