poesias mais


21/11/2007


Escrito por linney jeanne palma às 18h34
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07/10/2007


O tempo

 

Linney Jeanne Palma

 

O que sei

das horas

que correm loucas

devorando o meu destino

de mulher?

Não tive tempo

de olhar no espelho

mal tive tempo

de vestir a roupa

e o dia passou

sem que eu sorrisse

e ainda preciso

encontrar os sonhos.

Escrito por linney jeanne palma às 22h12
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27/09/2007


                 Fragmentos

 

            Linney Jeanne Palma

 

          Fragmentos do passado

                são mistérios

                 que a noite

            procura desvendar:

               juntar pedaços,

              formar desenhos,

                    decifrar.

                      Vida,

                      pesar.

Escrito por linney às 07h06
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26/09/2007


A Rua Por Onde Passo

 

Linney Jeanne Palma

 

A rua por onde passo

todos os dias

já me conhece.

Sabe dos meus cacoetes

(às vezes cantarolo baixinho

em leve desatino)

sabe a cor

dos meus sapatos

(e onde eles me apertam)

tem a medida

dos meus passos

do peso

das minhas sacolas

e entende as razões

pelas quais

desfilo minha tristeza.

Escrito por linney às 06h51
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04/09/2007


Meus Mortos

 

Linney Jeanne Palma

 

Às vezes,

parece que vejo

meus mortos

em alguma

desconhecida rua,

andando distraída;

ou refletidos cativos,

numa vitrina;

ou numa janela,

atrás de uma cortina

a voejar...

Vejo-os

num canto

de uma casa vazia,

ou num jardim,

escondidos...

 

Às vezes,

suas vozes

parecem murmurar

dentro de mim

seus nomes ausentes...

 

É aí que vem

esta saudade

pungente

que teima

em não me deixar...

 

Reviro

a minha memória

andarilha

e eles voltam,

como parte

de uma história

insepulta

que eu gosto de lembrar.

Escrito por linney às 22h51
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03/08/2007


Incerteza

 

Linney Jeanne Palma

 

Aflige

a incerteza!

desconhecer

teus planos

silenciosos,

impenetráveis,

em incansáveis

dias de espera,

em devaneios

aflitos;

sem saber

aonde vai dar

este caminho

e aceitar

resignada

os dias.

Escrito por linney às 09h22
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24/07/2007


Meus Olhos

 

Linney Jeanne Palma

        

A menina

tinha os meus olhos.

 

Não estes

que tenho agora,

mas os que eu tinha

quando ainda

não havia deixado

ninguém para trás;

nem enterrado

meus mortos,

nem feito

as mudanças que fiz,

nem andado

por infinitas ruas

à procura de endereços,

nem visto

tantos sorrisos amarelos.

 

Aqueles olhos

eram os da menina

que ficou no meu passado...

  

Escrito por linney às 13h42
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04/07/2007


Campo-Santo

 

Linney Jeanne Palma

 

Onde os mortos

deitam seus corpos,

um pássaro canta,

uma flor desabrocha,

um homem ascende uma vela.

 

O Sol

deita cruzes

de sombras no chão

e aquece

o corpo da mulher

que faz uma prece.

Escrito por linney às 11h48
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30/06/2007


O Inverno

 

Linney Jeanne Palma

 

O inverno chegou

como um namorado

que vem

de uma longa viagem.

Eu esperava ansiosa

com os cobertores

perfumados

e a mesa posta

com chocolate quente.

 

Fechei a janela,

acendi a lareira,

peguei meu livro favorito,

e como uma gueixa

fiquei bonita,

num pijama

de flores azuis.

Escrito por linney às 15h05
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29/06/2007


Deixa-me quieta

 

Linney Jeanne Palma

 

Deixa-me quieta

que eu preciso de mim,

da minha dor suave

que em tantos

não dói.

Deixa-me

com os meus pensamentos

que fazem vozes

calmas e iguais.

 

Deixa-me

no silêncio,

na penumbra,

para que eu possa

depois de tudo

e apesar de tudo

voltar...

Escrito por linney às 13h54
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28/06/2007


Andarilho

 

Linney Jeanne Palma

 

Carregas a solidão

por esta estrada sem fim,

alheio às paisagens

que deixas para trás...

 

Pisas nas pequenas flores

da beira do asfalto

e nem te deténs

para  ve-las.

 

Aonde vais,

que levas a tua vida

nos ombros,

sem que ninguém

perceba que tu passas?

 

Quantos mundos

foram os teus?

Quantas vidas

perderam-se de ti?

 

Andarilho...

para onde

te levam

os teus passos ?

Escrito por linney às 20h39
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Fantasmas Interiores

 

Linney Jeanne Palma

 

Cruzamos

com nossos

fantasmas interiores

dia-a-dia:

uns

nos apontam o dedo,

outros

vêm cumprimentar-nos.

 

Seus rostos,

espectros,

nos examinam

atentos:

Somos reféns.

Entre erros e acertos,

vivemos.

Escrito por linney às 20h27
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Remédios

 

Linney Jeanne Palma

 

Andei doente!

De tempos,em tempos,

fico assim:

o corpo abatido,

a alma febril;

um absurdo!

quase morro de mim.

Mas com uns poucos remédios:

uma poesia,

um livro,

uma obra de arte,

uma bela paisagem

(amor à parte),

fico assim:

só alegria!

Escrito por linney às 18h42
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O Lago

          (ao lago Guaíba)

 

Linney Jeanne Palma

 

Este lago

que me namora,

deixa que eu o admire

e empresta-me

belas paisagens.

 

Concede-me

com generosidade,

um pouco dos seus instantes.

Apaixonada

eu o contemplo...

Escrito por linney às 18h16
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27/06/2007


A Catedral

 

Linney Jeanne Palma

 

O homem

na catedral

o espírito elevado

transpassado

pelas luzes coloridas

dos vitrais

o pensamento

a bordar

colunas góticas

o frio da paz

o cheiro do guardado

o mistério dos santos

a cruz dos dias

a luz vermelha ao fundo

(o Divino)

a solidão da catedral. 

  

Escrito por linney às 20h53
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